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  • 01 Jul 2020
O Palácio Nacional de Sintra recupera Aposentos da Rainha D. Maria Pia
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A partir do dia 1 de julho, será possível visitar, no Palácio Nacional de Sintra, a nova musealização dos Aposentos de D. Maria Pia de Saboia, a última rainha de Portugal a habitar este palácio, até à véspera da Implantação da República. Este novo projeto expositivo e museológico passa a integrar, no circuito expositivo, um total de 8 novos espaços e cerca de 100 novos bens móveis, entre mobiliário e obras de pintura e de artes decorativas, que até agora estavam inacessíveis ao olhar dos visitantes. Em linha com a missão da Parques de Sintra, de investigação e conservação do património sob sua gestão, esta ampliação da exposição permanente deste monumento vem restaurar a memória das funções que estes compartimentos tiveram, atualizar a respetiva museografia e melhorar a experiência do visitante, oferecendo, simultaneamente, novos motivos de visita.

O projeto, do qual se apresentam agora os primeiros resultados, teve início em junho de 2019 e continuará a ser desenvolvido e enriquecido. Pretende reintegrar, no Palácio Nacional de Sintra, o último período de vida desta residência real portuguesa e recuperar os ambientes decorativos originais da fase final da monarquia, com um acervo que reflete o gosto apurado e eclético de D. Maria Pia e que é proveniente das coleções reais. O trabalho que tem vindo a ser desenvolvido envolve a identificação dos objetos através da análise de fotografias históricas e do estudo de inventários dos séculos XIX e de 1910, bem como intervenções de conservação e restauro do património integrado e dos bens móveis.

Nestes compartimentos figurarão, já, novos suportes de informação e de apoio à visita que estão a ser desenvolvidos para o Palácio Nacional de Sintra, cuja implementação se prevê para este verão e que virão oferecer ao visitante deste monumento uma visão atualizada do trabalho que se vem desenvolvendo e das descobertas históricas mais recentes.

 

Os aposentos da Rainha D. Maria Pia:

Os antigos aposentos de D. Maria Pia localizam-se no piso superior da ala nascente do palácio. Em 1857-58, no reinado de D. Pedro V (1837-1861), estes compartimentos foram adaptados para acomodar o rei e a futura rainha, D. Estefânia (1837-1859). Durante o reinado de D. Luís (1838-1889) e até à implantação da República, em 1910, foram utilizados pela sua mulher, D. Maria Pia de Saboia (1847-1911), como residência de recreio.

No Quarto de Cama, destaca-se o leito de dossel onde dormia a rainha, sobre-elevado num estrado. A profusão de elementos torneados em espiral que é possível observar nesta peça, evoca uma das características do mobiliário português da segunda metade do século XVII, mais tarde reinterpretada no século XIX. Mesas, cadeiras e cómodas, em estilos revivalistas diversos, completam o conjunto de mobiliário. No teto, são, ainda, visíveis o escudo com o monograma “PS” (Pedro & Stephanie) e as armas de aliança entre Portugal e a Casa Hohenzollern-Sigmaringen, ambos os motivos heráldicos sob a coroa real.

O Quarto de Toilette era dedicado ao ritual de toilette de D. Maria Pia (vestir, pentear, maquilhar, perfumar). O lavatório, a mesa e o espelho são de inspiração rococó e evidenciam a função deste espaço feminino. Tal como nos restantes aposentos, o pavimento estava revestido a alcatifa. Anexo a este quarto, encontra-se o Quarto do Retrete, que era independente da casa de banho. É o espaço mais recolhido dos aposentos e apresenta marmoreados fingidos na parede, uma latrina e um bidé cerâmicos, encastrados em móveis de madeira com tampa articulada. A alcatifa, que é um prolongamento da alcatifa do Quarto de Toilette, é o único exemplar remanescente do antigo revestimento deste pavimento.

A Sala destes aposentos era a sala de estar privada de D. Maria Pia. Era utilizada para trabalho, nos momentos de repouso e para a receção de pessoas do seu círculo mais próximo. A rainha envolveu-se pessoalmente na decoração de todos estes compartimentos, onde predominavam os têxteis, que revestiam móveis, janelas, portas e soalhos. As cores dominantes neste espaço íntimo de sociabilidade eram o azul e o amarelo, que estavam também presentes no lustre veneziano. O fogão de sala neomanuelino, em pedra de lioz, exibe, no centro, as armas de aliança Portugal-Saboia, sob a coroa real. Os nós laterais consistem, por sua vez, em motivos heráldicos que aludem a ambas as Casas reinantes.

A Casa de Banho era utilizada para a higiene diária da rainha e apresentava um sistema de canalizações e de descarga. O equipamento sanitário moderno, como o lavatório e a banheira com torneiras para água quente e fria, convive, neste período, com outros elementos móveis, como, banheiras baixas redondas, semicúpios – que se destinavam a banhos de assento – e banheiras para pés. Não tendo sido possível localizar, até agora, a banheira original, optou-se por incluir nesta divisão uma banheira que foi utilizada pela D. Maria Pia no Palácio da Ajuda. Esta última, é descrita, em fontes da época, do seguinte modo: “[…] A banheira é de metal, envernizado de branco, com meias canas douradas. Tem uma forma elegante. Se não fosse oblonga poderíamos compara-la com uma jarra de lindíssimo feitio […]” (José Miguel Ventura; monografia “Portugal e a Itália, ou enlace da Dynastia de Bragança com a Dynastia de Saboya”, 1862).

O Guarda-roupa era o compartimento onde se guardava a roupa branca e as peças de vestuário da rainha. Conserva, ainda, os armários originais, que eram fixos à parede, bem como o lanternim com caixilhos de vidros de cores. Alguns deles inclinavam-se, quando se puxava o fio que ainda hoje se conserva, para permitir a ventilação deste espaço.

 

 

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